You are a good girl, Annie
by Anne Isabelle

Eu tenho bipolaridade. Eu tendo a focar muito no meu estado atual em crises – quando estou mal, tendo a entrar de cabeça no sentimento de estar mal, procuro sintomas na internet, tento entender se tem relação com algum transtorno que eu já tenho ou que eu possa ter (o que é um problema) e entro numa espiral de imaginar que nunca vou sair do estado triste e desconfortável que estou vivenciando.
Tenho uma memória boa, exceto para entender minha própria saúde mental: eu sempre esqueço que um dia já estive bem, que quando tive crises elas passaram, esqueço de tentar aplicar skills que eu aprendi para lidar com problemas.
Esse blogpost serve pra me ajuda com isso. Vou anotar aqui muitas qualidades minhas, coisas que gosto em mim, coisas que outras pessoas me falaram que gostam em mim, para que eu possa olhar para esse post em momentos de crise. Uma espécie de auxílio para autocompaixão.
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Pra começar, apesar de eu não ser religiosa ou espiritual, eu tenho me identificado cada vez mais com a noção do absurdo. Eu acredito que a alma não é algo metafísico, e sim a manifestação da presença de um ser vivo (seja ele pessoa, animal, planta, fungo). Objetos sem vida são um reflexo, muitas vezes, da alma. Obras de arte, músicas, todos carregam uma parte da “alma” (presença) de sua pessoa criadora. Por isso, eu tendo a colocar muito minha alma em minhas criações.
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Sou uma pessoa bem criativa, por falar nisso. Sempre fui, eu já fui mais imaginativa antes e vivia sonhando acordada, mas isso foi desaparecendo com o tempo.
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Falando em criatividade, eu percebi que sou uma ótima escritora. Não sei se escrevo bem, mas eu consigo ter um flow pesado enquanto escrevo (já passei horas escrevendo um livro de uma vez só).
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Falando em religiosidade, eu acredito que, apesar da vida não fazer sentido, temos que vivê-la da melhor forma possível. Isso significa que amo e apoio as pessoas ao meu redor, isso significa que quero ser uma pessoa feliz, que quero sentir tudo o que eu puder sentir e que quero fazer o bem e ser uma boa pessoa e não pedir nada em troca (nem das outras pessoas, nem de um suposto Deus).
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Eu sou hipersensível. Isso pode ser difícil pra quando sinto coisas ruins, mas coisas boas são incríveis pra minha sensibilidade.
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Tenho uma curiosidade infinita. Coisas que me despertam o interesse me fazem ir a lugares distantes da minha mente. Eu aprendo muito com minha curiosidade.
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Eu sei acolher muito bem as pessoas. Antes eu achava que eu era péssima nisso, mas muitas amigas e pessoas importantes da minha vida reforçaram o contrário. Pode acontecer de eu não saber como lidar ou reagir ao sofrimento de outras pessoas, mas isso não quer dizer que eu não me preocupe. Sou hiper empática.
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Tenho um conhecimento e gosto musical incríveis.
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Meus desenhos tem melhorado muito.
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Eu danço muito bem. Eu achava que eu dançava “esquisito”, mas o meu jeito de dançar é o secret sauce de uma dança autêntica.
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Eu tenho um jeitinho muito fofo. Acredito que o autismo desmascarado faz meu jeitinho ser bem autêntico.
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Muitas pessoas me falam que sou bem inocente, e eu levo isso como um elogio. Eu gosto de ser vista como mais inocente.
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Eu sei cozinhar muito bem, e eu gosto de cozinhar pra pessoas importantes pra mim como forma de demonstrar carinho.
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Eu gosto de demonstrar carinho.
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Escrever esse post está me fazendo chorar pois estou me sentindo bem.
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Eu amo minhas amigas :)
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Eu sou bonita, tenho um rosto e corpo bonitos. Tenho um senso estético muito interessante também.
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Meu cabelo sempre chama a atenção, e eu amo meus cachos.
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Eu consigo ser extremamente organizada.
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Eu tenho conseguido me regular muito bem emocionalmente. Ainda estou aprendendo a me regular melhor.