Sobre esperar mensagens
by Anne Isabelle
Eu cresci numa época em que smartphones foram se tornando itens indispensáveis para a vida em sociedade. Passamos de uma vida que dependia de telefonemas, encontros pessoais, cartas, pra uma vida de hiperconectividade em que se espera que todos estejam profundamente conectados e disponíveis o tempo todo.
Mas existem aqueles que ousam não estarem conectados o tempo todo. Aqueles que observam a vida devagarinho. Aqueles que sentem saudades, mas que valorizam muito mais os encontros presenciais ao constante tilintar do app de mensagem.
Infelizmente a hiperconectividade queimou meu cérebro e meus neurônios. Neurônios esses, super-excitados, esperam a sua mensagem. Qualquer traço de demora ou de dificuldade pode ser automaticamente pensado como rejeição – esta pessoa não quer falar mais comigo, deve ter algo profundamente errado comigo.
E ainda assim, algumas pessoas ousam ignorar o que o fetiche em tecnologia lhes pede. Fique conectada o tempo todo, ligue as notificações, responda imediatamente. Viva uma vida acelerada, encontros presenciais são secundários.
Eu gostaria de saber como desfazer todo o mal que foi feito a meu cérebro na última década or so. Meu celular sempre esteve com suas notificações ligadas, sempre perto. Meu cérebro sempre espera algo novo, uma notificação de algum amigo. O scroll constante fills the void like TV static.
Eu já tenho tentado entender que o problema não sou eu, que sempre penso que qualquer coisa é um sinal de rejeição, nem você, que está apenas vivendo uma vida um pouco menos conectada e mais devagar (e, logo, mais saudável). O problema, no fim, é a pressão pela conexão. A pressão pela hiperconexão.
Eu não me importo se você demorar uma década pra me responder, desde que você queira me ver pessoalmente.
Ciao.
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