Tranquila, alegre, estável, saudável
by Anne Isabelle
Eu consegui um emprego mês passado, e comecei a me programar para me recuperar financeiramente. Estou morando com meu pai e com minha madrasta. Eu finalmente estou vendo luz na fim do túnel dos empréstimos sendo cobrados. Eu finalmente tenho dinheiro para me divertir também, comprar coisas que eu gostaria ter, pagar meus remédios, fazer terapias e consultas médicas.
Minha madrasta tem feito muitas coisas em casa sozinha, mas eu estou começando a me propor a fazer as coisas também, e tenho percebido que estou melhorando nas coisas que faço. Tenho cozinhado bem. Fiz um prato simples, delicioso e vegano pra Samara, com muito amor (ela ganhou uma marmitinha pra comer no dia seguinte :3). Tenho feito os almoços de casa.
Eu tive hepatite, e, por recomendação médica, preciso fazer exercícios com maior cadência e mais pesados. Eu sempre tive medo de fazer qualquer coisa que envolvesse habilidades físicas perto de pessoas, pois tenho um certo trauma de infância com isso. Mas eu fui na academia e fui bem atendida, meu treino estava registrado no app, os personals foram me orientando muito bem, e eu acabei voltando hoje. E irei voltar amanhã. Turns out que todos ali estão minding their own businesses. Felizmente não vi uma pessoa filmando seu treino, o que é ótimo. Na verdade, todo meu preconceito com academia desapareceu. E percebi que, apesar de estar começando de forma modesta mas constante, estou indo muito bem nisso.
No domingo, eu havia marcado de ir com a Samara no parque tirar fotos. Uma das minhas linguagens de amor é tirar fotos, eu amo tirar fotos de pessoas que eu amo. Nós nos arrumamos com nossas roupas mais maluquinhas, peguei minhas três câmeras.
Meu pai sugeriu que eu pegasse o carro pra tentar economizar com Uber. Eu não dirigia há anos, e fiquei com muito medo de pegar o carro. Fui buscar a Samara de carro e cheguei um pouco trêmula, ainda me acostumando com todo esse maquinário. Mas depois, quando estávamos indo ao parque, eu já estava dirigindo muito bem. Nos dois últimos dias eu peguei o carro e dirigi, hoje fui pra academia de carro, dirigi à noite, na chuva. Estou conseguindo manter a calma e dirigir de uma forma bem smooth.
No sábado, eu, minha amiga Maru e o boy dela, Eduardo, fomos ao centro da cidade. Mais uma coisa que me deixou feliz: não tenho mais a agorafobia que eu costumava ter. Andei no centro, soube guiar todo mundo, visitei lugares interessantes, andei até à noite. Depois fui na Santa Cecília, num karaokê. Cantei, soltei a voz.
Tenho recebido ótimos feedbacks no trabalho, inclusive vindos do CTO. Tenho trabalhado bastante, mas não a ponto de ter um burnout. Sinto que meu trabalho está sendo reconhecido, e que estou me esforçando bastante para fazer coisas interessantes e ter meu trabalho visto. Eu acho que eu precisava disso há muito tempo: trabalho que me desse brainfood, que me desse uma clareza de como crescer.
Além de tudo, estou vivendo o amor mais incrível e feliz da minha vida. Eu tento entender isso como uma construção conjunta de todas as coisas felizes e importantes que tem acontecido nesses últimos meses. Não vou colocar a responsabilidade da minha felicidade na Samara, mas lembrar que ela tem parte nisso – em me fazer me sentir muito feliz comigo mesma e com ela e com tudo.
Amanhã eu volto pra terapia. Dessa vez com boas notícias. Ainda bipolar, ainda autista, mas estável, mas com pouco ou nenhum sofrimento. Eu sei que podem existir momentos em que as coisas não vão ficar tão felizes. A vida é esquisita, afinal, e eu sou uma pessoa com tendências depressivas. Mas, pelo menos por enquanto, estou me esforçando pra ter uma vida melhor e tranquila.
Tenho alguns objetivos pra esse ano: me recuperar financeiramente, perder peso (e consequentemente melhorar minha saúde, especialmente meu fígado), talvez perder o medo de piercings e brincos, dirigir distâncias maiores, continuar tendo um relacionamento bonito e saudável (e mágico) e continuar confiante e radiante.
:)
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