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5 April 2026

Absurdismo, amor e reencontros

by Anne Isabelle

“O Mito de Sísifo” é uma obra que ainda preciso ler (eu não sou tão fluente em filosofia pra sequer ler tantos livros), mas Camus traz a ideia de que a vida é um conjunto de eventos que ocorrem sem que precise, de fato, existir coerência ou sentido. Bob Ross, o famoso pintor e apresentador de TV, tinha uma frase que era algo como “Não cometemos erros, apenas acidentes felizes”. Einstein argumentava que “Deus não joga dados” enquanto Stephen Hawking argumentava que Deus, de fato, jogava dados. [1]

Muitas pessoas atribuem os encontros casuais ao destino, ou ao divino, ou ao Universo. Eu acho que precisamos ser mais humildes: Deus, se existir, tem coisas melhores pra fazer, e o Universo é grande demais pra se importar.

Insignificant Speck of Dust

A aleatoriedade da vida pode ocorrer em clusters que não parecem aleatórios, de modo que a vida parece menos caótica e mais controlada (spoiler: ela não é). Porém, existem muitas chances para que coisas ocorram, e nosso cérebro é só muito bom em criar conexões mesmo onde elas não existem.


Eu li “A Agonia de Eros” e estou lendo “In Praise of Love” de Badiou. Os dois livros tentam explicar o que é o amor, de fato. Além disso, é tecida uma tese sobre como o capitalismo tem causado estragos no amor ao produtizar esse sentimento ou estado de espírito. Além disso, nosso colega Zizek também tem explicado muito sobre a commodificação do amor – o transformar do amor num produto perfeito, feito sob medida, vendido em massa.

É interessante entender o que de fato é o amor, além de tentar entender onde ele se esconde – o que significa se abster do Ego, o que o amor significa para as artes e para o espírito. Acho que o amor explica, para uma ateísta como eu, o que é de fato o espírito. O amor não necessáriamente tem a ver com romance, ou com um Outro que existe, mas sim com essa coisa que só consigo chamar de alma. Uma chama, algo que nos move. Algo que nos faz pensar de forma altruísta, mesmo que ninguém esteja nos olhando.


O que quero dizer com isso? Basicamente, que desde que eu comecei a me atrair por outras pessoas (na adolescência), eu tenho olhado pra infinitude e procurado algo no além. Sejam formas de atingir a felicidade, sejam pessoas parceiras que possam me completar. Mas eu nunca encontrei, eu acho. Eu tive muitos amores, muitas paixões (que são diferentes de amor, e mais próximas de desejo), mas acho que nunca parei pra analisar e pra entender exatamente o que elas eram ou o que significavam.

Mas agora o absurdo da vida me fez encontrar algo que estava há muito perdido. O reencontro me deixa feliz e entusiasmada. Todas as vezes que penso nisso me sinto feliz e em paz. Acho que amo estar viva.

Nos últimos meses ou anos eu tenho me dedicado a encontrar e enaltecer coisas que me ajudam a ter um senso de propósito. Que me fazem me sentir humana. Que me fazem me sentir bem, que me ensinem cada vez mais a ser uma pessoa gentil, empática, forgiving, understanding e que presume intenções positivas. Esses são os principais valores aos quais eu quero viver.

Eu quero dançar, eu quero cantar, desenhar e pintar. Escrever aqui e em todos os lugares. Deixar a criatividade fluir. Deixar a imaginação, que estava atrofiada, retornar.

E, o mais importante, eu quero amar e ser feliz.


[1] Does God Play Dice

[2] Random Clusters

[3] To Fall in Love, Click Here

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