O mundo parecia bem diferente quando eu era adolescente
by Anne Isabelle
É muito interessante como o mundo se torna muito mais conectado e próximo quando se descobre a magia por trás dele.
Quando eu era adolescente, eu tinha hiperfoco em distritos de São Paulo. Meus pais as vezes me levavam em lugares distantes, ou até mesmo próximos, mas que eu nunca havia explorado. Sempre tocando no carro uma rádio que tocava indie rock que moldou meu gosto musical por anos.
Tudo parecia tão distante, e chegar nos lugares parecia tão mágico. Quando meu pai dirigia pelas ruas cheias de casas antigas da Penha ou da Vila Matilde, eu me imaginava morando em uma dessas casas antigas.
Hoje eu tento recuperar resquícios dessa magia. As vezes, no Uber, escuto uma playlist com músicas que eu amava escutar por aí quando eu andava pela cidade. A mistura das músicas com o pôr do Sol sempre me traz nostalgias de épocas específicas da minha infância, adolescência e começo da minha vida adulta.
A depressão sempre esteve presente, ela sempre existiu. Eu sempre sofri com crises e mais crises. Mas a nostalgia é formada de lentes cor-de-rosa e só consigo enxergar as coisas que eram muito boas.
Pra falar a verdade, eu sinto falta de ser uma adolescente ingênua. Às vezes a cobrança da vida adulta me faz querer ser ingênua.
Pense no seu livro favorito, lembre-se da primeira vez que o lera. Em algum momento, você estava completamente ignorante do que esse livro se tratava. Todos os cliffhangers, retcons e twists liberam dopamina no seu cérebro uma vez, e uma vez apenas.
É o que sinto com minhas nostalgias. Não importa o que eu faça para emular o sentimento, ele nunca será o mesmo.
Talvez eu deva apenas criar novas memórias.
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